Terras de exclusão, portos de resistência: um estudo sobre a função social das terras da União
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Título
Terras de exclusão, portos de resistência: um estudo sobre a função social das terras da União
Resumo/Ementa
O esforço de delimitação e separação do que foi constituído enquanto propriedade privada, em oposição ao que era público, ocorreu no contexto de reformulação produtiva e do processo de inserção do país na lógica capitalista internacional, a partir de meados do século XIX. Como consequência deste processo, tanto a propriedade privada quanto a propriedade pública foram estabelecidas simultaneamente. Na prática, a informalidade da situação fundiária das terras públicas no Brasil interferiu na ocupação do território e incentivou inúmeros conflitos fundiários urbanos e rurais. A apropriação ilegal e indevida de extensas frações de áreas públicas da União por particulares, por meio do jogo da legalização e falsa legalização, se deu em função do tratamento displicente dado à gestão do Patrimônio da União, marcado pela dificuldade do Estado em regular e controlar de fato o acesso à terra e aos recursos naturais e pelo desconhecimento sobre a abrangência do domínio público.
A partir de 2003, o órgão responsável pela gestão do patrimônio da União no Brasil adotou diversas mudanças administrativas e legais, ao rever o papel de propriedade da União como "patrimônio de todo brasileiro", visando a função social da propriedade pública e a inversão da lógica histórica marcada pela centralização de decisões, perspectiva meramente arrecadatória e de gestão cartorial dos bens públicos. Em decorrência dessas mudanças, depois de dez anos, estima-se que cerca de 560 mil famílias poderiam ter sido beneficiadas por ações de regularização fundiária de assentamentos urbanos em imóveis da União, não fossem os bloqueios enfrentados para a efetivação dessas ações. Apesar dos avanços conquistados, especialmente, no campo do reconhecimento de direitos, estes não foram suficientes para promover uma significativa inflexão na lógica de gestão de terras da União. Aspectos relacionados à cultura política, jurídica e administrativa, na esfera local e federal, permeados por questões urbanísticas, impediram mudanças mais significativas no cumprimento da função social da propriedade pública da União. O território que abrange as margens do Canal de Santos, no litoral de São Paulo, onde está o Porto de Santos, considerando sua localização estratégica, foi escolhido para investigar como são estabelecidas as disputas e as soluções propostas pela SPU, em torno dos múltiplos interesses que recaem sobre a utilização de terras da União, a partir da análise dos casos da Ilha de Bagres e do Sítio Conceiçãozinha.
Idioma
Português do Brasil (pt-BR)
Assunto
Caracterização fìsica | Gestão administrativa > Controle da Gestão | Caracterização fìsica > Declaração De Domínio | Fiscalização Patrimonial | Gestão administrativa | Gestão administrativa > Gestão Estratégica | Identificação Patrimonial | Regularização fundiária
Formato
Digital
Palavra-chave
Apropriações ilegais | Canal de Santos | Capitalismo | Concorrência de interesses | Conflitos fundiários | Delimitação de propriedades | Dificuldades regulatórias | Direitos de propriedade | Displicência administrativa da União | Fixação de entendimentos | Função social da propriedade | Gestão cartorial | Ilha de Bagres - SP | Informalidade fundiária | Ocupações Irregulares | Porto de Santos - SP | Propriedade Privada | Propriedade Pública | Reducionismo arrecadatório | Regularização > Regularização Fundiária | Sítio Conceiçãozinha - SP | Terrenos marginais
Ano de publicação
2018
Autor
Fernanda Accioly Moreira
Currículo Lattes
Editora/Publicador
Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, da Universidade de São Paulo
Data de publicação/aprovação
06/06/2018
Sigla da Instituição
PPG-AU/FAU-USP
Tipo de Publicação
Tese de Doutorado
Licença de uso
Creative Commons - Uso Não Comercial - Não a Obras Derivadas (CC BY-NC-SA)
Direitos Autorais
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