O resgate do centro de Porto Alegre : a luta dos sem-teto pelo direito à moradia
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Título
O resgate do centro de Porto Alegre : a luta dos sem-teto pelo direito à moradia
Resumo/Ementa
O presente estudo analisa o centro da cidade de Porto Alegre reivindicado para moradia pelos sem-teto do Movimento Nacional de Luta pela Moradia / Rio Grande do Sul. Como expressão de uma luta nacional, os sem-teto reclamam o direito à moradia digna e o acesso à urbanidade empreendendo ocupações organizadas sobre edifícios vazios nos centros das capitais. Essa luta põe à prova o Estatuto da Cidade norteado pelo princípio da justiça social e do acesso democrático ao espaço urbano, acentuando a recusa da função social da propriedade. Extrapolando o cálculo de ‘domicílios vagos’ da estatística oficial, assinalamos os ‘vazios urbanos verticais’ representados por um ‘estoque’ de edifícios inteiros fechados sem destinação, deteriorando o espaço urbano. Esse estoque é composto pelos bens imóveis de proprietários particulares e pelo patrimônio público da União, entes federados e autarquias que negados em seu valor de uso, tornam-se objeto de luta dos movimentos sociais. Apresentamos a trajetória do coletivo Utopia e Luta nascido na ocupação de um edifício vago do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) em Porto Alegre, durante o V Fórum Social Mundial (2005), cujo projeto foi encaminhado como demanda para o Programa de Reabilitação de Áreas Urbanas Centrais, da Secretaria de Programas Urbanos do Ministério das Cidades. A reforma de edifícios para habitação popular é analisada como proposta de resgate do centro: reabilitando-o para o atendimento das presenças populares que, via de regra, são recusadas e afugentadas para as periferias cada vez mais distantes, segundo a lógica da expansão do tecido urbano e da segregação socioespacial. Diversas limitações pontuam o presente contexto e são obstáculos para o resgate proposto. Sob a perspectiva da cidade como objeto de luta e da ótica da Reforma Urbana, assistimos no horizonte político avanços que merecem ser destacados como as Medidas Provisórias 292/06 e 335/07 que culminaram na Lei 11.481 de 31 de maio de 2007 sinalizando favoravelmente à alienação dos bens imóveis públicos para provisão de habitação de interesse social. Porém, o enquadramento da habitação popular se dá sob à égide do mercado restringindo a utopia do direito à cidade e do direito à moradia na luta pelo direito de inserção em programas habitacionais.
Idioma
Português do Brasil (pt-BR)
Assunto
Destinação patrimonial imobiliária | Fiscalização Patrimonial | Gestão administrativa | Gestão administrativa > Gestão Estratégica
Formato
Digital
Palavra-chave
Alienação de bens imóveis | Coletivo Utopia e Luta | Direito à cidade | Direito a Moradia | Estatuto da Cidade | Função social da propriedade | Habitação popular | Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) | Movimento Nacional de Luta pela Moradia | Movimentos sociais | Município de Porto Alegre | Programa de Reabilitação de Áreas Urbanas Centrais | Reforma urbana | Secretaria de Programas Urbanos do Ministério das Cidades | Segregação socioespacial | V Fórum Social Mundial
Ano de publicação
2007
Autor
Leda Velloso Buonfiglio
Currículo Lattes
Editora/Publicador
Programa de Pós-Graduação em Geografia, da Universidade de Brasília
Data de publicação/aprovação
08/10/2007
Sigla da Instituição
PPGEA-UNB
Local de Publicação
Brasil | Brasil > Distrito Federal > Brasília | Brasil > Distrito Federal
Tipo de Publicação
Dissertação de Mestrado
Licença de uso
Creative Commons - Uso Não Comercial - Não a Obras Derivadas (CC BY-NC-SA)
Direitos Autorais
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