Patrimônio cultural, festa e construção identitária: uma análise do processo de certificação quilombola da Comunidade do Barranco de São Benedito (2010-2016)
Patrimônio cultural, festa e construção identitária: uma análise do processo de certificação quilombola da Comunidade do Barranco de São Benedito (2010-2016)
Resumo/Ementa
Nessa pesquisa, pretendemos investigar o processo de certificação do Quilombo Urbano do Barranco de São Benedito, localizado no bairro da Praça 14 de Janeiro, na cidade de Manaus, estado do Amazonas. A comunidade negra se constituiu a partir da migração de maranhenses, dentre eles ex-escravizados que, em fins do século XIX, se deslocaram da cidade de Alcântara, no estado do Maranhão, para a região amazônica. Com a vinda desses grupos negros, foram trazidas suas manifestações culturais e religiosas, sendo o festejo de São Benedito a primeira comemoração realizada por esses sujeitos na cidade manauara. A festa do santo preto tem sido transmitida de geração a geração entre as famílias maranhenses e seus descendentes, e foi um fator essencial para a materialização da sua certificação pela Fundação Cultural Palmares (FCP), no ano de 2014. Durante esse processo, houve a mobilização do patrimônio cultural negro, que permitiu legitimar a identidade quilombola, abrindo caminhos para o reconhecimento do Quilombo do Barranco como Patrimônio Cultural Imaterial do Amazonas, em 2015. Partindo disso, realizaremos uma análise do festejo do santo preto, bem como da certificação quilombola através dos jornais A crítica e Amazonas Em tempo, e incorporaremos, ainda, as etnografias e a cartografia social produzida sobre a comunidade negra, os documentos oficiais e os registros familiares de forma complementar.